quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

NATAL NO PEAPAZ




Nunca antes experimentei
Área virtual cheia de lei
Tão fácil de se cumprir,
A cantar, dançando a sorrir
Lealdade, AMOR e PAZ!

Não pressenti membro mordaz
Ornamentado de amizade falsa.  

Peapaz é sítio onde danço valsa,
Expirando a amizade virtual,
Atiçada, por vezes, de real
Paixão por algo ou alguém
Acarinhado sem desdém,
Zunindo Amor e fatalidade.

Amália Faustino, 23 de Dezembro (Respondendo ao Salaverry)

Natal, profano



Nasceu Jesus Cristo,
A 25 de Dezembro,
Trazendo ao mundo o visto,
Autorização a cada membro,
Luz que eleva ao Pai Celeste.

Natal, enquanto aniversário,
Assume-se como festa de berçário,
Templo de menino sem veste
Alojado numa manjedoura,
Lumiado pela estrela aurora.

Natal, símbolo de união familiar,
Humildade e gentileza a reconciliar,
Trindade santificada por mérito,
Apologia da paz e do perdão ao mal,
Logro e doação de presente inédito.

No entanto, Natal é festa
Adornada com muito cobro;
Tropeçando a essência desta,
Aumentando exageros ao dobro,
Ludibria-se a crença em Cristo!

Partilha-se menos bem do que se ostenta,
Reparte-se problemas com quem os aventa,
Odeia-se a quem nada tem, só porque pede,
Faz-se muita despesa, que nem se pode,
Ao fim do mês, desespera-se, igual ao coitado
Na sua habitual sobrevivência, bem animado,
Orgulhando-se ante seu mês igualmente mal!

Não profanemos a essência do Natal,
Obstando a eficiência do essencial!


FESTEJEMOS O NATAL, NA PAZ E ENTENDIMENTO,
CONCÓRDIA E SOLIDARIEDADE REAL,
SEM OSTENTAÇÃO

GANHAREMOS A PROSPERIDADE EM TODO 2012

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Solidão na multidão


Este meu meio tem gente
E dentro dele mora gente;
Aqui e em toda a parte vive gente
Que passa, olha sem ver a gente!

Aqui na rua sei que há gente
E ouço falar muita gente,
Passos apressados de gente
Assinalam presença de gente.

Mas eu continuo sem gente,
Que pudesse falar como gente
E comigo conviva como  gente
Facilitando a existência da gente.

Talvez eu mesmo seja gente,
Ou não se prefere que seja gente,
Ou porque já não posso ser gente,
Coloca-se-me à margem da gente!

Eu sou marginalizado por gente
Que se afasta de mim, como gente,
Despreza-me, sem me considerar gente,
Por ser originário dum meio indigente.

Mas depois fala-se em cuidar da gente
Piando que gente carenciada tem mente
Onde se deve investir, conscientemente
Mas vêm só entrevistar e focar a gente.

Quase sempre vem abastada gente
Que mais podia fazer para gente,
Se partilhasse o excesso com a gente
Se quisesse tornar gente o indigente!

Amália Faustino Mendes
, 21 de Dezembro de 2011


Deixa-me amar-te

Sinto que te amo e tu a mim,
Mas tento conter em mim
A atracão física que não quero
Que notes, que afinal é vero!

E o meu coração te persegue
O teu a mim e ao meu consegue,
Numa reivindicação mórbida visível,
Penetrar no meu recôndito indelével.

Ah! Não consegui agora escamotear!
Estou  sendo apanhado em flagrante,
Pelo teu coração apaixonado a tactear
Com a língua de fogo, já penetrante!

Culpado sou eu e o crime foi ocultar
O amor proibido que ainda sinto por ti,
Pois, em pesada carga eléctrica, parti
Para cima do teu coração a crepitar.

Por isso algema-me no teu tronco
Depois de eu marinar no chá de tartaruga
Até me encharcar e enervar como louco,
Numa paixão intranquila, exausta de fuga.



Amália Faustino Mendes Dezembro 1 de 2011

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A Força da Paixão

De um lado ele, do outro, ela…
O mar e a terra separando os dois
A mesma chama queimando a ele e a ela
Ambos não contêm o expirado fôlego de bois!

E ouve-se de lá chiando os dois
A  terra e o mar que observam,
A conter  energia dos dois sóis
Que sem as mãos não desbravam.

A energia contida nos órgãos
Fazem-nos avolumar, respirar,
E latejar, sem dor nos pés e mãos,
Mas sim de prazer a enfartar.

Se é o que arde que os faz espirrar,
O que é doce os faz lamber os beiços,
O que é salgado vai a tensão alterar,
O corpo em tudo redobra em esforços.

Que coisa é essa que sinaliza a vitalidade,
Enlouquecendo qualquer um que a porta,
Desrespeitando preconceitos da sociedade,
Sem desprimor pelos valores que importa?

Essa coisa é a atracção de dois que se queiram,
E se entregam, cegos por quem se lhes vê,
Ensurdecidos para o que deles se ouve,
Sem sentir o cheiro que no momento exalam!

A atracção confisca a fraqueza e confere forças
Mais do que o ardor de Camões, o amor é doce
E omite qualquer sofrimento, sem esforços,
Só requerendo a ausência de foice e coice.


Amália Faustino, Santiago de Cabo Verde

domingo, 14 de agosto de 2011

Nasce o saco azul

Nasceu uma criança
Que trouxe numa mão uma alça
E a alça desprendera-se de algo
Que já não se via o seu apego!

Depois da criança
Um saco de abastança
Também nasce e se despeja
Na presença de quem peleja.

Inscrita no saco se vê:
Eu sou a tua abastança
Boa sorte a quem me vê
E me leva como herança!

Com as moedas de ouro
Torna-se rico e a parentes seus
Distribui parte do tesouro,
Assumindo o controlo dos fariseus.

E o saco de cor azul,
Da cor do céu do continente,
Do país e concelho decadente
É, num certo sítio, um paul.

E lá, cada quem é como cada qual,
Cada um seu bolso, e de lá a bolsa,
Se de qualquer controlo, tudo normal,
A contabilidade, existindo, é falsa.

Amália Faustino Mendes, 14 de Agosto de 2011

Quero-te como amigo

Descobri nos teus olhos o brilho do bem-querer
Nas  tuas mão, experimentei a onda do teu o calor
Mas nada expirava a verdadeira amizade de valor,
Mas a antítese dos sentimentos benévolos , a valer.

Instiga a tua afeição, libertando o teu carinho!
Normaliza o teu próprio ser, desfeito em vinho,
Toca-me sem receio, com dileção te sentirei
 Entrar no jogo de amizade comigo, com estima!


Insiste e não nega a fingir, que a amizade não queres;
O afecto que todos desejam, faz crescer a pujança
O carinho que eu possa necessitar, receber preferes
E a ser recíproco, o bem que me faz, cola-te na lembrança.

Respondendo o palpitar do teu coração, em rima
Negando perfumar-se com álcool, e eu te direi:
 Amigo! Abraça-me e me enrola como queres
Comunga comigo o afecto que tanto bem faz aos seres!

Nutrida por sentimentos positivos desde a nascença,
Arquitetada com desvelo de pais e irmãos e gentes
Liga-te a mim para juntos fazermos  a benquerença
Interessando-nos pelos sentimentos emergentes!


quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Lembro-me, pai

Uma grande saudade de ti me invade
Nestes dias, provocando-me lembranças
Em raios de negrura das paredes maciças
Ladeando a tua limitada e pobre herdade!

Na tua pobre herdade jazes de certeza,
Sem dúvida, aqui resiste o que não pesa;
O pó invisível em que te transformou
O teu rico crânio que teu filho cobiçou…

Agora misturaste-te a todos, donde entraste,
E a possibilidade de to roubar me retiraste;
Resta-me o pouco ou tudo que me deixaste
Admitindo confirmar que me preservaste!

Agradecido, pai, pela herança e pelo dote
De que me sirvo para me afirmar como gente;
Na vida difícil, destes tempos, pude ser ciente
Graças à perspicácia do teu ser inteligente!

Agora ressinto a presença  de tuas herdades,
Sei que és capaz de me ver chorar de saudades,
Mas peça a outro Pai imortal que me aguente
Me catapulte para patamares não decadentes.

Mar da cidade velha











Ó mar cinzento da velha cidade!

Paro à tua beira, em êxtase e sagacidade,
Contemplo o teu ir e vir incessante
Sem nenhum ritmo constante.

E vejo-te ladeado de ovais calhaus
Talhados a crânio de homens maus,
Lembrando-me a história das origens
Da Cidade Velha e das suas miragens.

Miragens velhas pela sua idade
Velhas na sua história e origem
Cidade madura e dura na margem
Onde as ondas esculpiram calhaus!

Perfurando o fundo das tuas águas
Desarreigo de lá antepassadas mágoas,
Abscônditos olhos arrancados a garfo
De algum rosto esmagado ao crânio safo.

Olhando para cima, vi a amarga fuligem,
Recordando o refúgio, com vertigem,
E antepassados cismando seu focinho
Catando, a olho, a tortura no pelourinho!

Do alto teor de sofrimento escapou gente
E o que agora resta, enluta a sua mente,
Num postergado passado, profundamente dorido
Que hoje é um presente a exibir com alarido.

 

Cidade Velha, Down Town


A cidade velha, down town

Mulheres do Maio na badia

Diz-se aqui que no Maio há mulheres mansas!
De entre outras não selvagens, se destacam,
Drenando permissividade e a homens enganam,
Durante um tempo, sem coices em danças.

Mansas assim todas são, mesmo a minha
Mulher que dá coices e coxeia e me acarinha,
Mas sem me confundir, dá-me a maminha,
Mostrando os dotes amorosos de santinha.

E a minha não é do Maio, é mesmo badia!
É mulher santiaguense, preta e luzidia,
Enfeita-se de tons rosa, vestindo-se a roxo
Empolgando-se, que tira do sério um macho.

Irresistível se torna na combinação de cor,
Incluindo a preta, a rosa, a roxa ao dispor
Insufladas pelos meus olhos saídos da caixa
Irradia-se por mim que a alma não se queixa.

A luz que faz luzir meus olhos nesta luzidia,
Mesmo que outros olhos ma vêm numa badia
Origem do amor que meu kretxeu me inspira,
Rompe com preconceitos e conceitos de birra.


quinta-feira, 9 de junho de 2011

Primavera



Aqui não há Primavera!

Sei que  a Vera é prima de alguém:
É prima do fim de Dom Azágua
É a marca do tempo seco que ela tem
Nos lugares onde nenhum passa régua!

Oh! Então se ali não a conheces
Aqui na Europa, ali na América
E mesmo lá na Austrália e África
Vá lá e neste tempo a reconheces.

Primavera não marca o tempo seco,
Primavera assinala a revitalidade
E as plantas brotam rebentos sem eco
Mostrando suas flores ainda sem idade.

Flores que exibem cores e exalam cheiros
Fazem espirrar, lacrimejar, fotografar canteiros
E guardar realidades exóticas e deslumbrantes,
Ostentando o carácter de alegres semblantes.

De tamanhos e feitios para parte dos bolsos
Dizer para todos os gostos, são ditos falsos
Ao não serem flores para todas as posses
Desejar, roubar e correr, pés com entorses!

Tu aqui olhas para as fotos de flores belas
 Que só existem noutras paragens e zelas
Pelas plantas ornamentais do teu quintal,
E valoriza o pouco que tem coloração igual.

Poetas del mundo constroem a paz

Por ser criança, pensava num mundo
Ordenado e confinado à minha aldeia,
Exígua, sob um céu estrelado redondo,
Transbordando um luzir trémulo na ideia,
Ainda vaga, do que fosse um vagabundo,
Suspirando por um futuro, sem paranóia!

De olhos escancarados, a escola da vida
Erigida em mim, sobre alguns pilares,
Luziu as minhas lamparinas à pedalada!

Mundo afinal, extenso, diverso e perverso,
Ungido da vida a correr em vasos do predador
Narcótico e alcoolizado, e bélico, noutro verso,
Decantou em mim a desconfiança e o desprimor
Ornados na desarmonia dum futuro controverso.

Caído na consciência de que o meu é a concha,
O mundo de quatro dimensões vem e se agacha
No interior do meu campo emocional, ardendo,
Supurando chamas vivas, amargas, lançando
Torrentes de sofrimentos e gozos anestesiantes,
Revestindo a sua superfície de árvores galopantes
Orquestradoras de gritos cinestésicos e humanos
Em aflição, desarmada pelos próprios desumanos,  
Martelava nos versos do poeta: vamos obter a paz!

Ah! Confessa, reconhecendo a necessidade da PAZ!

Paz e amor, essências do bem-estar e riqueza do mundo,
Arvoram, desatinando as armas, despedaçadas a findo,
Zunindo aos quatro ventos, enquanto inversos da guerra.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Saudade, mãe

Saudade de uma mãe dói,

Ao lembrar que se foi
Ultimamente, ao silenciar
Dentro do seu quarto
Aquele grito de querer ficar
Driblando o espectro de um morto
Expectante para a levar, mãe!

Minha querida mãe
Ao lado do meu pai
Entes que Deus vos tenha!

Amália Faustino Mendes

 

domingo, 5 de junho de 2011

Obsesan pa Djamila

Pss minina, dexa-m txiga na bo
Pamodi oxi N intxi di koraji
Pa N kruzá-bu bu kaminhu
Pa Nu podi da un falinha
Pa nu buska un bom kaminhu
Pa nos dos é txeu inportanti!

Kel falinha li, el e inportanti pa nós
El ki ta midjora kel destinu di nos
El ki ta gia tudu kaminhu di nós

Ó rapazinho di pé rapadu
Bu atxa ma n tem tenpu
Sta na fazi falinha ku bó?
E pa bu pensa kenha e bo
Sinan, kredu, figa kanhota
Arka na monti, ba pa ria preta
Nsoli fiel di moska, agu tumtum!

D ja n pensa kem ki mi e y era
Jogu sujo ki N staba ne’l , dja era
Antis da-m oportunidadi di prova
Mi oxi e diferente, tenta komprova,
Inda N kre pa bu kre-m, sima n kre-u
L onji N sta di droga ku bebida ku freu,
A mi n larga tudo dja; nu trata di nos bida!

Kel falinha li, el e inportanti pa nós
El ki ta midjora kel destinu di nos
El ki ta gia tudu kaminhu di nós.


Gosi li, n sta kre-bu txeu dimás
Ka bu pensa na larga-n nunka más
Mi sta li ta promete-u nha mundo
Ku tudo kel ki n teni na fundo.

Fika ku mi, pa senpri,  nha kretxeu
N ta nbrasa-u, n ta Beja-u txeu txeu
Ka nu larga kumpanheru nunka más
Mi ku bo nu kre kunpanheru dimás!

Kel falinha li, el e inportanti pa nós
El ki ta midjora kel destinu di nos
El ki ta gia tudu kaminhu di nós.


Tradução para português

Obsessão por Djamila


Pst, menina, deixa-me chegar perto
Porque hoje me enchi de coragem
Para cruzar o teu caminho
Para que possamos ter uma conversa
Para procurarmos um bom caminho
Para nós dois é muito importante

Refrão
Esta conversa é importante para nós dois
Porque é boa para apaziguar alma nossa
Ela é que melhora este destino de nós dois
Ela é que guia a caminhada nossa

O – Ó rapazinho de pé rapado
B - Bem pensas que eu tenho tempo
S - Submeter em conversas contigo?
E - É preciso pensares quem és tu
S - Senão esconjuro-te, figa canhota
A - Alcança o monte, via areia preta
O  - O fel de mosca engolido, agua tumtum!



D- Dei por julgado quem eu sou e era
J  - Joguei sujo em que eu estava, já era
A - Antes dá-me oportunidade de provar
M - Mesmo eu, hoje, sou diferente, tenta comprovar
I - Inda eu quero que me queiras como te quero
L - Longe de droga, de bebida, de freio
A - Abandonei tudo já; tratemos da nossa vida

Refrão
Esta conversa é importante para nós dois
Porque é boa para apaziguar alma nossa
Ela é que melhora este destino de nós dois
Ela é que guia a kaminhada nossa

Agora mesmo, estou te amando de mais
Não penses em deixar-me nunca mais
Eu estou a prometer-te o meu mundo
Mais tudo o que eu tenho no fundo.
Fica comigo para sempre, meu amor
Eu abraço-te eu beijo-te muito, muito
Não nos abandonemos nunca mais
Eu e tu nos amamos demais!!!

Refrão
Esta conversa é importante para nós dois
Porque é boa para apaziguar alma nossa
Ela é que melhora este destino de nós dois
Ela é que guia a caminhada nossa.
Amália Faustino Mendes, 28 de Maio de 2011

Meu dia internacional

M eus pais chamam-me ainda bebé
E cheiram-me, inspirando como o rapé,
U ntando-me os lábios cheios de amor.

D ispensam-me tanto amor e carinho,
I dentificam outras crianças sem amor,
A rfando a respiração no peito, com dor.


I ndignam-se com crianças de tudo carentes,
N ormais, anormais, perturbadas e doentes,
T orturadas, sem nunca fumarem o carinho,
E xploradas em demasia, violadas num cantinho,
R ebatidas por maldade, inveja e arrogância.
N avegadas na essência da sua inocência
A spiraram, humanamente, um dia ser cidadãs
C rianças que qualquer outra tratasse por irmãs,
I ntegradas na sociedade, com uma vida digna
O bstinadas, persistem em cantar e dançar,
N ão desistindo de uma sobrevivência condigna
A licerçada nos direitos a um de Junho cobiçar
L egitimo DIA INTERNACIONAL DA CRIANÇA!

Amália Faustino Mendes
Dia Internacional da criança, 1 de Junho de 2011