sábado, 22 de setembro de 2012

Saudade


Anoiteceu e eu ainda não te vejo,
é mais um dia de espera dolorida.
Aqui prostrado sobre a alma entristecida,
volto a chorar em mais um dia... sem teu beijo.

Amanheceu e eu acordei com tua saudade
Enrolada na dor resfriada por ventos do além
Que me sussurram a tua voz de serenidade
Embrulhada naquele tempo de desdém.

Estou lembrando as alegrias de outrora,
parecem sonhos que alguém jamais viveu;
parecem trilhas que a lembrança percorreu,
são pedacinhos de instantes da memória.

Nessas noites mentoladas, tentei te ver
Em mais um daqueles sonhos fúteis,
Sentindo o teu volumoso peito se mover
Sob as minhas mãos, roçando-se inúteis.

Posso sentir a tua mão tão carinhosa,
pareço ouvir a tua voz inebriante...
 Ver-te não posso,  eu não sou mais teu amante,
talvez quem sabe, vejas esta linda rosa.

Ainda em sonhos, veio uma vermelha rosa,
De uma frescura gotejante, estendendo,
Sem aquela sua mão suave e mimosa,
Trepando a minha janela, assobiando.  

Mas ela mesma, flor de encanto e de paixão,
descolorindo, ao passar de tantos dias,
 vai-se murchando, matando-me de agonia,
pois no teu peito já não bate o coração.

Meu coração, envolto na tua ausência,
Presencia assobio de uma rosa fantasma,
Mas não perece sucumbido na potência
De te achar, te ter e abraçar na mesma.  

Amália Faustino duetando com Jorge Montenegro