terça-feira, 19 de março de 2013

Faustino, meu pai


Fica para sempre na minha lembrança
Aquilo que foste, enquanto meu pai.
Única ofensa impregnada na memória
Sublinha-se colada na minha mente,
Transferida do tempo que já lá vai
Incluindo o dia de hoje e seguintes:
Nunca consideras ter-me abandonado
Onde ainda permaneço a sentir tua falta.

Meu pai, recordo que, num fatídico dia,
Encavalitei os teus ombros e a tua cabeça prendia,
Utilizando-te como meio de salvação e vida!

Porta e teto escancarados, as paredes soltaram
A tua cabeça partida sangrava como a minha
Inchando, doridas, esfriando ao sopro do vento.

Amália Faustino, 19 de Março de 2012

terça-feira, 12 de março de 2013

A verdade dos olhos



Os teus olhos que eu vejo,
Enquanto afastas o teu desejo,
Eles se afoitam a aventurar,
Enquanto os tentas assegurar.

Os olhos escondem mentiras
E exibem mensagens verdadeiras;
Os olhos persuadem e vencem
Desafios e fios que se tecem.

Os teus olhares, que sempre desvias
De repousarem nas minhas vias,
Ostentam, na verdade, que me querem!

E tu amas-me, mas coíbe-os de mostrarem,
Enquanto teimas e insistes que eles retirem,
Eles ficam, furtivos, a me devorarem.

Amália Faustino, 12 de março de 2013

segunda-feira, 11 de março de 2013

Andante voante



Sou um andante, ainda com  dotes de voante;
Não sou mareante, nem quero ser imprudente
Quer eu voe ou ande, tento ser conveniente,
Adotando um comportamento decente .
Talvez eu saiba estar na estante desta terra,
Ficar na poeira do meu poleiro a ver mandante,
Destrinçando  a marcha de voo do mirante,
Retalhando subida com descida deslizante.
Quem prefira subir por um declive suavizante,
Que avise o mar e as ondas de certa corrente
Que do alto não desce, senão em sobrevoo...
Eu  sobrevoo as profundas águas, sem enjoo
Toco nas ondas com asas abertas, ganho forças
Magnéticas de paz que atraem amor e graças.
Amália Faustino Mendes, 6 de Julho de 2012