quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

SEIS LETRAS




Teclam-se letras ambíguas e sonoras
Letras que gritam com demoras
E perfilam por dedos pensantes
Em cabeças de ideias interessantes.

São seis as letras em ordem disposta
Para formar tal palavra que vi de costa
As mais esfregadas, quando achadas,
As mais utilizadas para produzir batidas.

As letras que vi tecladas são emendadas,
As falhas graves, agudas e enfadadas.
São letras delapidadas em montras
Donde o esforço é desviado por mantras

Que as bestas comem descuidadas.
De crucificadas em praças, já deformadas

Formam-se palavras de certas cores,
E os dedos colam em teclas estuporas
Que voam com asas de almas puras,
Resistindo a quedas de grandes alturas.

Ainda vejo essas letras, mal apagadas,
Letras ofuscadas, ainda escutadas,
Letras que resistem em ficar na moda,
E teimosamente destilam na alvorada.

Amália Faustino Mendes

sábado, 24 de janeiro de 2015

Bramindo


Driblando
 

Ei mundo de atualidade,
Gente da humanidade
Insensível insolente que nem mouca,
Pode escutar uma voz rouca,
Triturada e moída de alma aflita,
Ou sopro de sangue que não grita?


Estamos num mundo insensível,
Gente comporta como fera
Instiga a guerra, apela à morte,
Prestativa em fornecer armas,
Tomando qualquer suborno,
Ostentando o poderio pecuniário

QUANDO EU FOR POETA


QUANDO EU FOR POETA

Cogitei a possibilidade de ser poeta,
Já que a vida não é um linha reta
E suas curvas podem ser desentortadas
E as pontas arrebentadas, concertadas!

Será que posso ser um poeta de verdade?
Será que consigo sentir o que sinto?
E explicitarei com sinceridade
A essência da sensação que não pinto?

Se um dia for um poeta de verdade
Saberei arrumar palavras em cruz
Ou credo, em motes de certa beldade
Para atrair visores pela sua luz.

Enquanto me transformo num poeta,
Que não queira parecer um pateta
Que nenhum problema percebe,
Ostento males evitáveis que se concebe!      

Decido agora ir escrevendo umas palavras
Dispostas em cadeias para prender o ódio
E encavalitar outras em campos de lavras,
Construindo espaço prisional para o ócio.

Ah se conseguir ser poeta e souber escrever
Umas palavras livres que voam em liberdade!...
Desenharei os limites de um direito no dever
Engasgando a libertinagem fumada na felicidade!

As palavras que escrevo, a todos são oferecidas!
E pretendo que chovam no casulo do rancor
Para dissolver, nos espíritos, essências homicidas,
Adotáveis como solução qualquer em vigor.

Amália Faustino

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

no amor somos iguais




No amor somos iguais


De um lado ele, do outro, ela…
O mar e a terra separam os dois
A mesma chama queima-lhe e a ela
Ambos não contêm fôlego de bois!

E ouve-se de lá chiando os dois
Da terra e do mar que observam,
A contenção de  energia dos sóis
Que sem as mãos não desbravam.

A energia contida nos órgãos
Fazem-nos avolumar, respirar,
E latejar sem dor nos pés e mãos
Mas sim de prazer a enfartar.

Se é o que arde que o faz espirrar,
O que é doce faz lamber os beiços,
O que é salgado vai a tensão alterar,
O corpo em tudo redobra em esforços.

Que coisa é essa que sinaliza a vitalidade,
Enlouquecendo qualquer um que a porta,
Desrespeitando preconceitos da sociedade,
Sem desprimor aos valores que importa?
Essa coisa é o amor de dois que se pretendam,
E se entregam, cegos por quem se lhes vê,
Ensurdecendo-se para o que deles se prevê,
Sem se importar com o que outros entendam!

Amor confisca a fraqueza e confere forças
Mesmo a arder como diz Camões,  o amor é doce
Que omite qualquer sofrimento, sem esforços
Requerendo a ausência de foice e coice.

Amália Faustino, 22 de Dezembro de 2010

UM NAVIO AFUNDA-SE NO FOGO 8 jan 2015

SENHOR DEUS, PERDOE-NOS AS OFENSAS E SALVAI AS PESSOAS - AGORA MAIS ESTE ACIDENTE DE NAVIO VICENTE NO FOGO!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

SAUDADE POR AMOR



Quando entra no coração,
Alguém desejado que fique,
O amor nasce e brota a pique
De cortar qualquer lança em acção.

Castelos erguem uma doce lembrança
Duns abraços, colando doces beijos,
Inchados de desejo e esperança,
Recordados a espasmos de arrojos.

Se alguém querido não compareça
Num sempre habitual de presença
A cabeça em que desapareça
Recorda a felicidade em renascença.


As lembranças não perecidas, preferidas
Recalcam lindas sensações vividas
E Historias para amenizar a solidão
Que vem amedrontar na escuridão.

Uma deliciosa satisfação e gosto de mocidade
Arrasta o passado vivido, como saudade
E felicidade sentida em qualquer idade,
Se a ausência alimenta amor com amizade.

Amália Faustino, 8 janeiro de 2015