terça-feira, 28 de março de 2017

O mar da Cidade velha

Mar da cidade velha

Ó mar cinzento da velha cidade!
Parar à tua beira, com sagacidade,
Contemplar em êxtase o teu ir e vir incessante
É ver-te sem nenhum ritmo constante.

É ver-te ladeado de ovais calhaus
Talhando crânios de homens maus,
Que moldaram a história das origens
Da Cidade Velha para fazer vertigens.

Cidade Velha a par de sua idade
É velha na sua história e origem,
Madura de gente pura e sem ferrugem
Que as fortes ondas esculpiram com calhaus!

Penetrando o fundo das tuas águas
Retira-se de lá antepassadas mágoas,
Abscônditos olhos arrancados a garfo
Algum rosto esmagado ao crânio safo.

Olhando para cima, a amarga fuligem,
Recorda o refúgio, com vertigem,
E antepassados, cismando seu focinho,
Fintando o olho a tortura no pelourinho!

Do alto teor de sofrimento escapou gente
E o que agora resta da enlutada mente,
Dum postergado passado profundo e dorido
Hoje é um presente a exibir com alarido.


29 de Julho de 2011.